
http://www.timesonline.co.uk/tol/driving/jeremy_clarkson/article5620029.ece?token=null&offset=0&page=1
Pare. Não vire a página. Olhe de novo pra foto do carro de hoje. Bonito, né? Não é um carro que faz os outros motoristas se contorcerem pra olhar, nem causa frisson entre os pedestres. Não é bonito como Abi Clancy ou como Meg Ryan (era).
Com suas janelas esguias e aquelas rodas levemente côncavas, tem uma beleza serena, uma beleza sutil. Bonito como Daphne du Maurier. O tipo de beleza que você não nota até que esteja apontada a você. E aí você não consegue tirar ela da cabeça.
Existem outros carros com esse mesmo artifício. O novo Renault Laguna cupê, por exemplo. Mas ele é francês e por isso é o tipo de carro que acena para você com muitas promesas e então se torna uma enorme decepção.
O carro da foto desta manhã é incapaz de fazer isso porque ele é alemão. Na verdade é o novo Volkswagen Passat CC, e isso é um pouco desanimador. É como conhecer a garota dos seus sonhos e, na hora H, descobrir que ela se chama Ermintrude. Ou Daphne.
Na verdade é pior ainda, porque Volkswagen remete ao Nacional Socialismo e Passat tem um quê de clube de golfe. É uma imagem realmente péssima na sua cabeça. Hitler usando calças de golfista, com um taco e seus amigos Rudolf e Martin.
Entretanto você ignora o nome feio e a imagem terrível por um pedaço desse bolo. Da mesma forma que faria com Daphne du Maurier para jantar no Venetian Y. Eu faria isso.
Eu não resisto a portas sem molduras das janelas. Uma das razões de eu gostar do Subaru Outback são elas. Na verdade quando relembro todos os carros que tive ao longo dos anos, isso se torna uma característica comum. O CLK Black que tenho agora, o BMW CSL, o Honda CRX, a Ferrari 355, o Gallardo. Algumas pessoas compram carros pela velocidade, outras pela praticidade ou pelo custo. Parece que eu compro atraído por uma porta sem molduras.
Entre no CC e, depois de massagear a sua cabeça (você vai bater ela na primeira vez porque o teto é mais baixo do que você espera), vai notar que tudo é bom. Mais que bom. Nos modelos de entrada, tudo é meio sem-graça. Mas no carro que testei, tudo era feito de aluminio polido, couro marfim e toques cromados.
Quando o carro foi lançado, pensei que ele ia representar que você não pode bancar um Mercedes CLS. Isso ainda é verdade. É uma cópia menos cara do Benz original – modelo básico por básico, é £25.000 mais barato. Mas quer saber? O VW é melhor.
Certamente é melhor na traseira, porque mesmo que a Mercedes seja maior, o Passat oferece mais espaço para os dois passageiros que ele pode levar lá atrás. Somente dois mesmo. O centro do banco traseiro serve só para pessoas que gostam de sentar em porta-copos. Ou para quem é uma lata de Coca-Cola.
Mais atrás, há um bagageiro enorme. Cavernoso, com preço bom, bonito e bem acabado. Então o que há de errado?
É simples: você pode vestir um Passat como quiser da mesma forma que pode me vestir como achar melhor. Mas por baixo das roupas, eu continuo sendo um cara de meia idade rude, gordo e ofegante.
O Passat que dirigi – um GT 3.6 com tração integral de £30.492 – não é ruim mas não muda a sua vida. Os dados sugerem que ele vai a 100km/h em 5.6s, o que é bem rápido, mas na hora eu pensei “Nossa! Até meus pêlos estão lá atrás”
Os dados também informam que ele atinge 250km/h, mas a sensação é de que você nunca vai chegar lá.
Suspeito que parte desse problema seja o câmbio DSG. Normalmente este é o melhor sistema de borboletas mas no CC ele parece estranhamente lenta e indisposta a reduzir marchas rapidamente. E o resumo disso é: você pode ter o melhor sistema de tração integral do mundo, a direção mais precisa e o motor mais balanceado, mas se o câmbio se comportar como um líder sindical, tudo estará arruindao.
Por sorte ele tem um monte de coisas pra brincar enquanto você anda por aí. A primeira delas é a suspensão ajustável por um pequeno botão. Para começar, você seleciona “sport”, que deixa tudo bem descornfortável, o que não combina com o câmbio relaxado e o estilo discreto. Aí você muda para “normal”, que ainda é bem desconfortável. Isso significa que depois de dois minutos, garanto que você vai colocar no modo “comfort” e deixar lá pra sempre.
Aí você tem os acessórios de segurança. Um deles – que não equipava meu carro – é um instrutor eletrônico que puxa o volante se você tentar mudar de faixa sem usar a seta. Aparentemente você sente ele te puxando de volta como se tivesse dirigindo com a roda em uma vala.
Isso é bom? Os Citröen acordam os motoristas sonolentos com uma vibração no bando. Outros carros apita. Mas a Volkwagen preferiu essa abordagem mais direta, que é boa na teoria. Mas o que acontece se você precisar desviar e não houver tempo para indicar? O palhaço interventor no painel vai tentar direcionar você para o obstáculo que você estava tentando evitar.
O cruise-control guiado por radar é muito melhor. O sistema funciona como um cruise-control normal mas se um carro entrar na sua frente, a velocidade diminui até que ele se afaste, aí ele volta a acelerar. Em alguns carros (estou pensando nos Mercedes) isso não funciona muito bem porque ele segue o carro da frente a uma distância tão grande que o motorista dele não percebe que você quer ultrapassá-lo. No VW o sistema permite que você chegue perto dele e intimide o imbecil para ele sair do seu caminho.
Tem muitos outros brinquedos, alguns muito bons. Os gráficos do navegador são tão claros que parecem transmitidos em HD – e isso é ótimo. Mas qual é a graça de um enorme teto solar do tamanho de uma quadra de tênis se ele não abre?
Este é um carro divertido pra curtir por aí, e pela primeira vez usei a coluna toda falando dele. Por um lado é um Mercedes CLS pela metade do preço. Por outro, é confortável e tranquilo para dirigir mas falta brilho.
Vou dar a ele três estrelas, mas elas contam só três quintos da história. Veja bem, em São Francisco há um hotel chamado Golden Gate. Também é um três-estrelas e seu nome é tão sem-inspiração quanto “Volkswagen Passat”. Mas sempre escolho ficar lá quando estou na cidade porque é bonito. Tem uma beleza sutil. Uma beleza serena.
Volkswagen Passat CC GT V6
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1 comentários:
Bem, por esse lado, o Passat seria minha escolha, pois além de custar menos não chama atenção. Perfeito para mim!
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