The End

Este é o último post deste blog.

No começo, lá pela metade de 2008, era praticamente tudo o que havia sobre Top Gear em português na internet, serviu para muita gente conhecer e entender melhor o programa.

Depois chamei o louco Felipe Farias, também conhecido como Spawn560, para ajudar a fazer as legendas e aproveitamos os clipes que ele já havia legendado.

Contudo, manter este trabalho demanda dedicação e tempo - uma legenda completa (com transcrição traduzida e arquivo final) leva mais de 12 horas para ser feita por duas pessoas. O mestre-legendeiro Felipe anda ocupado escrevendo um livro e tentando publicá-lo e por isso não pode mais fazer as legendas. Ajudou também o fato de o jornal inglês Times tornar-se exclusivo para assinantes, impossibilitando a leitura das avaliações de Jeremy Clarkson.

A recente tentativa de manter o blog vivo mostrou que, além de inviável, ele já não é mais necessário.

Explico:

Alguém sob o pseudônimo John Flaherty, com muita boa vontade faz um grande trabalho diretamente no YouTube e disponibiliza a todos os melhores episódios com excelentes traduções. Fácil e prático.

Surpreendentemente a 15ª temporada foi legendada por algumas pessoas. As legendas estão no site legendas.tv. Também há legendas de anteriores. Cuidado apenas com as legendas do user Squall_GTR, pois foram feitas com tradutor automático e estão sem sentido.

Para as últimas notícias e curiosidades sobre o programa, vários sites sobre carros já publicam as matérias. Deixo para quem entende e recomendo o site Jalopnik Brasil.

Todo o conteúdo que está aqui, ficará online até que o Blogspot decida excluir. Para encontrar o que procura use as tags, estão bem detalhadas.

Espero que tenham gostado de tudo e que tenha sido útil. Para mim foi.

Top Gear legendado - Qual o primeiro carro com o layout atual de controles?


Acho que é uma dos quadros mais interessantes que eles já fizeram. Outro bem legal é a história do British Racing Green, que já legendamos uma vez mas o YouTube tirou do ar, infelizmente.
Via youtube.com/johnflaherty

25 pérolas de Jeremy Clarkson


Jeremy Clarkson, do Top Gear, é o crítico de carros sem papas na língua favorito dos obcecados por carros. Suas avaliações dificilmente ficam sem uma frase de peso. Aqui  estão 25 de suas melhores e mais pentelhas citações, cortesia da Ridelust e do Jalopnik Brasil

BBC não deixa Stig escrever sua biografia


Dizem que ele é um ex-piloto de Fórmula 1, outros dizem que ele é Ben Collins. Tudo o que sabemos é que a BBC irá processá-lo se ele publicar uma autobiografia assumindo ser o Stig do Top Gear.  
Clique aqui para continuar lendo.

Estamos de volta (ao menos por um tempo)

Então vamos começar com o tributo a Ayrton Senna (com algum atraso, mas ainda vale).


Via Youtube.com/johnflaherty

Rubens Barrichello no Top Gear - legendado

Estamos de volta em edição extraordinária para postar o vídeo legendado da entrevista de Rubens Barrichello no Top Gear seguida de sua volta com o antigo Suzuki Liana.
Se você é o legendador do vídeo, apareça, pois precisamos de amigos, colaboradores, fãs para não deixar o trabalho morrer.

Pausa para o almoço

Bom, como já disse anteriormente, o Top Gear em Português é (era) levado somente por mim, Leonardo e pelo legendador master Felipe Farias.
Infelizmente o tempo necessário para fazer todo o trabalho é maior que nosso tempo livre, por isso o blog está temporariamente desativado.
Enquanto isso, escrevo e traduzo no http://www.jalopnik.com.br/ e o legendador master Felipe Farias foi visto pela última vez comprando um macacão branco e um capacete Simpson. Vai saber...

Jeremy Clarkson - Nissan GT-R


Quinze anos atrás fui ao Japão, fiquei preso em um congestionamento por duas semanas e voltei para casa um pouco preocupado com esse exemplo inflamado e superaquecido de propriedade irrestrita de veículos que um dia iria se espalhar pelo mundo, levando todos a acreditar que Ken Livingstone poderia ter razão.
O tráfego sequer se arrastava. Não se movia de modo algum. A única forma de ter uma pequena noção de como foi estar parado daquele jeito é estourando sua cabeça. Estar em Tóquio em 1993 era realmente como estar morto.

Então você deve imaginar que as coisas devem estar bem piores depois de 15 anos de contínuo crescimento econômico global. Que eu posso voltar lá agora e encontrar o táxi que usei para ir ao aeroporto anos atrás, ainda no aeroporto, enfileirado para voltar à via expressa. Haveria pessoas em congestionamentos por toda a cidade, sem a menor ideia de que as torres gêmeas vieram abaixo.

Na verdade, Tóquio agora flui como o sangue arterial de um bebê recém-nascido. Não há confluências alagadas nem engarrafamentos. Recentemente rasguei a rodovia de Tóquio equivalente à Marylebone de Londres a 160km/h às duas da tarde. E não havia um único carro à vista. Nenhum. Um comunista argumentaria que isso tem a ver com a excelência do transporte público japonês, que classifica como atrasado um trem que chega 59 segundos depois do horário agendado. Mas o sistema já era bom 15 anos atrás.

Um hippie deve sugerir que na nação que nos deu o protocolo de Kyoto, o trabalhador médio guardou seu carro por vergonha e comprou uma bicicleta. Receio que não. E tampouco foi inventado um pedágio que, de certa forma, diminui o congestionamento em vez de emitir uma conta impertinente a cada cinco minutos.

Não. O que aconteceu foi muito simples. Em qualquer lugar do mundo os carros estão ficando maiores. O atual BMW série-3 é 10 centímetros mais longo que o série-5 do fim dos anos 80. Hoje o Polo é maior que o primeiro Golf. E o Rolls-Royce Phantom do século 21 é maior que uma casa egípcia.

Enquanto isso, no Japão, a lei exige que você prove que tem um lugar para estacionar seu carro para poder comprar um, a menos que o carro tenha menos de 3,4 metros e seja movido por um motor de até 660cm³. E como quase ninguém tem um local para guardar o carro, a demanda por carros que caberiam em uma lancheira é furiosa. Existem atualmente 58 modelos diferentes nesse segmento, incluindo o sucesso de vendas Suzuki Wagon R, vendido a 250 mil pessoas a cada ano.

É sério. Os carros vendidos no Reino Unido, que são do tamanho de fazendas e aviões - você raramente vê no Japão. Quase todo mundo tem um carro bem pequeno, muitos nem são vistos a olho nu.

O resultado é muito simples. Um congestionamento de carros normais terá duas vezes o comprimento de um desses carros "kei" japoneses. E um congestionamento "kei" acabará mais rápido, porque em um carro do tamanho de uma bacteria você não precisa dar voltas e voltas no quarteirão para encontrar uma vaga para estacionar. Você só coloca o carro no bolso e assim resolve o problema.

Infelizmente há alguns inconvenientes. O primeiro de todos: como esses carros são bem pequenos por fora, também não são o que você chamaria de espaçoso quando entra. Não é tão ruim em um país onde a maioria das pessoas tem meio metro de altura, mas se você for - digamos - holandês, terá uma boa briga para entrar. Certamente não há forma alguma de duas pessoas se acomodarem lado a lado em um Daihatsu Mira se ambos tiverem ombros.

Isso nos traz ao nosso próximo problema. Como os carros kei só podem ter 3,4 metros de comprimento, não há motivo para gastar nada desse comprimento com um capô. Então o micromotor fica meio que sob o painel e você senta bem na frente no carro. Deve ser estranho quando você bate o carro de frente, porque seu rosto pode estar a menos de um palmo do rosto do cara que vem na direção contrária e ele ainda não terão se tocado.

Também há o estilo. Ou melhor, não há. Qualquer tentativa de dar a esses carros uma linha de teto afilada ou uma traseira mais curva é um desperdício de talento, o que significa que todos eles serão exatamente - eu digo exatamente mesmo - como freezers horizontais. E como eles têm rodas minúsculas eles realmente parecem com freezers sobre rodízios. E por isso têm aparência absurda. Ninguém vai gastar dinheiro em algo que te faz parecer um bobo.

Para contornar isso, os fabricantes de carros tentam dar a eles um ar mais descolado e personalidade, dando a eles nomes incomuns. Eles fazem isso pegando um dicionário e escolhendo palavras aleatoriamente.

Isso quer dizer que você terá o Mitsubishi Mãe 500, o Suzuki Alto e o Mazda Carol.

Você iria trabalhar em um freezer chamado Alto? Não. Eu também não. E é por isso que quando estive no Japão, no mês passado, peguei um monstro queimador de asfalto de explosivos 473hp, que chega a 310km/h e tem tração nas quatro rodas. Peguei o novo Nissan GT-R.

É engraçado. No Japão, entre a imensa montanha de carros kei, a sensação era de estar em um show de heavy metal do passado. Era como passar por um show das Girls Aloud em um dinossauro do rock. Mas aqui as coisas devem ser bem diferentes.

A última vez que a Nissan fez um GT-R, ele era baseado no antigo Skyline duas-portas. A marca não podia fazer isso dessa vez porque o atual Skyline é horrível. Então em vez disso um pequeno time em uma sala hermeticamente fechada começou a trabalhar em uma máquina feita a mão, que pegaria as leis da física e simplesmente as quebraria ao meio.

A atenção aos detalhes foi extraordinária. Por exemplo, os pneus do GT-R são calibrados com nitrogênio porque ar comum dilata e contrai demais. E cada caixa de marchas é especialmente combinada com cada motor feito a mão.

E vai além. As fábricas japonesas raramente compram equipamento de terceiras. Eles sempre acham que podem fazer melhor por si mesmos. No GT-R, contudo, você encontra freios Brembo. Você encontra um chassis que foi inicialmente desenvolvido pela Lotus. Você encontrará o melhor que a Europa pode oferecer combinado com um sistema computadorizado que só poderia ser japonês.

Na estrada, então, esse carro de 150 mil reais - com sua transmissão de embreagem dupla montada na traseira, seu 3.8 biturbo e sua tração integral variável - é bastante simples, como posso dizer... um pouco decepcionante. O ronco é normal. A condução é normal. A direção é normal. Você pode ajustar todas configurações como quiser mas não fará diferença. Ele ainda será um grande Sunny.
Também não é bonito. Eu sei que cada forma e cada vinco tem um propósito aerodinâmico mas é como poesia livre. É como se tivesse sido concebido por Bartok.

Irritado com o grande deslize da Nissan, dirigi o carro mais forte. E depois mais forte ainda. E ele ainda se recusava a mostrar sua cartada. Era como dirigir um carro adormecido. Como se não houvesse nada que eu, um mero ser humano, pudesse fazer para causar uma suadeira nele.

Não havia nenhuma dica de que eu estava dirigindo algo que pode dar uma volta em Nürburgring mais rápido que um Koenigsegg ou um McLaren Mercedes. Que eu estava em um carro capaz de frear mais rápido que um muito Porsche 911 turbo com freios cerâmicos, que é muito mais leve.
Mesmo quando encontrei uma montanha e fiquei furioso, o GT-R permaneceu absolutamente comportado. Ocasionalmente você nota um fraco assovio dos turbos, ou talvez fosse um pequeno silvo dos pneus semi-slick. Mas era só. Absolutamente sem drama. Nenhuma sensação de que eu estava em algo incrível. E os freios, mesmo depois de ter esmurrado-os por metade do dia, ainda estavam gelados e afiados.

Esse, contudo, é um carro extraordinário, como nunca dirigi antes. Você deve esperar que ele pareça com um laptop, com seus montes de sensores e leitor de força G. Ou você pode esperar que, com toda aquela engenharia, ele pareça com um devorador de asfalto. Mas ele não é nada disso. Ele certamente não aparenta fazer 7:29 minutos em Nurburgring, apesar de eu ter visto um vídeo dele fazendo.

Ouso dizer que se Michael Schumacher estivesse no meio de uma tempestade ártica, fugindo de um vulcão em erupção, ele conseguiria descobrir 10% da capacidade desse carro. Mas você? Eu? Esqueça.

A Nissan, portanto, fez algo estranho. Construiu um carro para uma época, um lugar e uma espécie que simplesmente não existem.

Isso é uma coleção de Lancias - Top Gear legendado

No segundo programa da atual temporada, os Top Gears levantaram a seguinte questão: "qual marca produziu mais 'grandes carros' em toda a história?"
A pergunta virou enquete e a resposta está no vídeo abaixo.
Uma bela homenagem à essa tristemente esquecida marca que deu ao mundo nada menos que sete grandes carros. Daqueles que fazem a gente colar um poster na parede e desejar dar uma volta, nem que seja a última coisa a fazer na vida.

Top Gear - Legendado em Português - S14E02



E agora saiu a legenda do segundo episódio da atual temporada (S14). O vídeo embutido no blog demora até no acertarmos com os colaboradores.

Vai o link do torrent e da legenda.
Agradeçam novamente ao Felipe Farias.

Torrent - Top Gear S14E02
Legenda em português - Top Gear S14E02




Quer ser colaborador?

Como vocês podem perceber, as legendas do Top Gear vêm em doses homeopáticas e nunca conseguimos legendar a temporada inteira.
Isso acontece porque todo o trabalho, desde a tradução até a sincronização e a incorporação da legenda no vídeo é feito por mim e pelo Felipe Farias. Isso significa que esse trabalho é realizado em nosso tempo livre, que não é tão livre como gostaríamos.

Por isso, se você gosta do Top Gear e quer ajudar, deixe seu email nos comentários que entraremos em contato.
Não precisa saber inglês. Ajuda também se puder sincronizar as legendas ou embutí-las nos vídeos.

Enquanto isso, o trabalho segue.

Abraços!

Top Gear - Legendas em português - S14E01


Finalmente saiu a legenda do primeiro episódio da atual temporada. O vídeo embutido no blog demora um pouco ainda. Vai o link do torrent e da legenda.
Agradeçam ao Felipe Farias (sempre ele).

Torrent - Top Gear S14E01
Legenda - Top Gear S14E01

Richard Hammond fala sobre Felipe Massa




O jovem Henry Surtees foi morto por uma roda que bateu em sua cabeça em uma corrida de Formula 2. Então somente seis dias depois, Felipe Massa sofre lesões terríveis quando uma peça da suspensão atinge sua cabeça e em seguida causa um acidente. Felipe pretende passa por uma recuperação completa e voltar à F1. Henry, filho do campeão mundial John Surtees, morreu na cena do seu acidente.

Eu estaria mentindo se dissesse que meu estômago não gelou quando soube de cada um desses incidentes. Estaria mentindo também se dissesse que eles não me fizeram pensar sobre a minha própria experiência de lesão na cabeça, apesar dos meus pensamentos serem muito mais sobre Felipe e a família Surtees e não sobre mim. A julgar pelas fotos tiradas após a batida de Felipe, com um único olho aberto olhando descontroladamente por sua viseira despedaçada, ficou claro que a mola da suspensão havia pousado à esquerda de sua fronte.

Machuquei a parte frontal do cérebro em meu acidente, em 2006, e como era triste pensar na longa jornada de recuperação desse tipo de lesão. A parte frontal do cérebro é o lugar responsável por nossas emoções, nossa personalidade. É onde vivemos, quem somos. E qualquer dano ali é potencialmente catastrófico e pode levar anos para curar. Sei disso por mim, três anos passaram e o processo ainda continua. Embora seja impossível imaginar quão feliz estaria a família Surtees se eles tivessem a oportunidade de ajudar Henry em uma jornada semelhante.

Parece que Felipe vai escapar de lesões no cérebro, seu capacete de fibra de carbono absorveu todo o impacto que poderia facilmente matá-lo. Mas cada vez que leio que ele pretende voltar à correr na F1 tão logo após seu acidente, devo admitir que meus ombros caem um pouco. Não é pela idéia de ele estar se arriscando novamente – isso é problema dele. É só a lembrança agitada do desespero de “voltar”, de trabalhar, de ser “normal” de novo. Se você já torceu um tornozelo enquanto corria na frente de todo mundo mas continuou, fingindo que estava tudo bem, você sabe do que estou falando.

Parece uma necessidade especialmente poderosa em vítimas de traumatismo craniano. Lembro de ficar tão desesperado para provar aos médicos que eu estava bem e poderia agir corretamente que citava fatos aleatórios que lembrava dos programas de TV durante o dia. Quando eu perguntavam que dia era ou onde eu estava, eu não tinha a menor idéia. Mas eu ainda queria mostrar que estava bem. Talvez a cura venha com a lenta percepção de que você machucou seu cérebro; você danificou o lugar onde você vive.

Seja o que for, eu vi o efeito disso quando visitei o Children’s Trust em Tadworth para abrir a unidade de reabilitação para crianças com lesões cerebrais adquiridas. É um lugar incrível, um lugar cheio de esperança mesmo para o mais grave dos casos enquanto eles realizam suas próprias jornadas de qualquer grau de recuperação que cada um deles será capaz.

Uma garota, internada desde que sofreu sua lesão, no começo do ano, me pegou para conversar do lado de fora. Ela anda mais curvada, ainda tem problemas com a balança – apesar de melhorar a cada dia – e me deu um olhar analítico. Ela me perguntou se era verdade que eu tive problemas com a minha ortografia por algum tempo após o acidente. Eu disse que sim, que eu tive. Ela perguntou se eu já estava melhor e eu disse que sim, estava. Ela chorou aliviada. Tudo o que ela queria era ouvir que é possível melhorar, se levantar da confusão e do medo e ser a pessoa que você era antes e sentir que você ainda é.

E é um tipo de lesão que sempre irá assombrar o automobilismo e os esportes motorizados. Da lesão de Sir Stirling Moss, no acidente de 1962 em Goodwood que encerrou sua gloriosa carreira, até as lesões de Felipe e Henry Surtees em julho e as milhares de lesões similares que acontecem nas rodovias a motociclistas e motoristas há uma vulnerabilidade particular aqui.

E, correndo o risco de ser chato e enfadonho, me desculpem se eu salientar que elas realmente, de verdade mesmo, servem como um aviso para cada um de nós, motociclistas, pilotos e mesmo ciclistas, que um capacete é mais que um requerimento legal, é necessário e um salva-vidas.

Para alguns, mesmo um capacete não pode impedir o pior de acontecer, e minhas condolências vão para sua família. Porém, para outros, como Felipe Massa, um bom capacete é a diferença entre correr fingindo que está tudo bem e não ter a chance de tentar correr de novo.



Richard Hammond sofreu um acidente a bordo do dragster Vampire a 463km/h. Hammond ficou por três meses em coma mas não sofreu lesões permanentes.

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Jeremy Clarkson - Land Rover Discovery 4 3.0 TDV6 HSE



Eu não entendo o Land Rover Discovery. É como o torque, a eletricidade e Peter Mandelson. Sabemos que existe e sabemos o que faz. Mas não é facil explicar. Antigamente fazia sentido. Havia um buraco enorme entre o utilitário Defender “traga-seus-protetores-de-ouvido” e o Range Rover, que estavam todos rodando em Surrey, com seus tapetes estilosos e assentos cobertos com pele de vaca. Em outras palavras, não havia um modelo para o homem do campo na linha da Land Rover, aquele que queria um carro para levar suas vacas ao mercado e a família ao pub. O Discovery preencheu aquele espaço satisfatoriamente e, como resultado, se tornou muito popular entre assassinos.

O Discovery foi comprado ocasionalmente por mulheres de fazendeiros, mas, na maioria dos casos foi comprado por caras que gostam de armas complicadas e calças camufladas. Esses caras se rotulam como “jipeiros” ou “trilheiros”, mas isso é só uma fachada para assassinatos.
Por qual motivo alguém precisa de calças camufladas? É para se esconder da polícia no mato. E por que eles têm um Discovery? Porque o Discovery consegue andar rápido nesse mato, o que significa que os corpos podem ser enterrados em lugares que não serão encontrados pelos malditos farejadores.

Você deve imaginar por que eles escolhem o Discovery em vez de um Land Cruiser, digamos, mas isso é porque você não está prestando atenção. Assim como os assassinos americanos, os “jipeiros” são pessoas práticas, que gostam de mexer em motores e caixas de marchas. Um Land Cruiser nunca quebra e por isso não há muitas oportunidades de ficar mexendo no motor.

Assim como os fazendeiros americanos, o assassino rural britânico é um patriota fervoroso que atira em esquilos e texugos simplesmente para se preparar para o dia em que eles serão chamados para matar comunistas e imigrantes. Além disso, com um Toyota ele não conseguiria adentrar suficientemente a mata, e aí seus cadáveres seriam descobertos e isso seria muito desagradável.

Você acha que isso não faz sentido? Sério? Bem, na próxima vez que estiver dirigindo pelo campo, olhe cautelosamente para o motorista de um velho Land Rover Discovery e pergunte-se uma simples questão: você deixaria sua filha sair com ele para um piquenique?

De qualquer forma, depois que Ken Noye foi preso, a Land Rover deixou de fazer um carro para assassinos e trouxe um novo Discovery. Francamente, não imagino para quem ela fez isso.

Pra começar, o acerto do chassi é extremamente estranho. Não vou entediar vocês com detalhes, mas o resultado disso é: o carro pesa 2,7 toneladas. Isso é muito. E também significa que o consumo foi horrível.

Houve outros problemas também. Ele tem sete assentos mas erguer e baixar esses assentos é extremamente complicado e requer o uso das duas mãos. Isso é um pouco incômodo para o tipo de pessoa que precisa de um carro com sete lugares, as mamães da escola. Elas normalmente tem que levantar e baixar os assentos enquanto carregam uma sacola ou uma criança no colo. Isso porque o Discovery foi projetado por caras que não sabem o que são crianças. Mas isso já se foi e agora temos algo muito mais intrigante para tentar entender.

Exceto pelas lâmpadas estilosas ele parece muito com o modelo anterior, mas por dentro é mais sofisticado, cheio de sensível-ao-toque isso e eletrônico aquilo.
Por baixo, eles mexeram nos ajustes da suspensão para deixar a direção mais precisa, tiraram algum peso e agora você pode pedir o 3.0 biturbo a diesel que viu a luz do dia pela primeira vez no Jaguar XF.

Reajustado para o Discovery, ele produz 241hp. É épico. Ele soa meio grosseiro e ronca como um caminhão quando você liga, mas depois ele tem a suavidade de uma máquina de costura, estridente e quase inacreditavelmente econômico. Dirija com cuidado e você vai conseguir fazer 10,5 km/l.

Eu gostei muito de dirigir o novo Discovery. Foi suave, quieto e extremamente confortável; a direção era boa, a posição de dirigir era excelente e, enquanto você precisava das duas mãos para mover os bancos, a praticidade vinha como bônus.

Então é preciso pensar sobre o preço. A linha começa com o antigo 2.7 custando £32.000, enquanto o carro que eu testei custa £47.695. Não vou fingir que isso é barato, mas custa £17.000 menos que o Range Rover TDV8 Vogue a diesel.

E o que exatamente o Range Rover faz e o novo Discovery não faz? Ele têm o mesmo talento fora-de-estrada e o Discovery tem o brilhante sistema de comando, que são cinco câmeras externas com imagens projetadas no painel. Você pode escolher qual câmera quer ver e até mesmo dar zoom no que te interessar.

A idéia é que você possa avistar obstáculos quando dirige fora da estrada, mas é uma tremenda diversão trocar as imagens enquanto dirige por aí, fazendo seu próprio filme. E fica melhor. Graças à tecnologia maluca, é possível assistir a DVDs enquanto o motorista usa o navegador exatamente na mesma tela. Não é brilhante?




Sim, o Range Rover tem um motor V8, mas o Discovery, com seu novo V6 é somente 0,4 segundo mais lento para chegar aos 100. E isso não me parece potência perdida por 17 mil libras.

O Range Rover costumeiramente estava mais próximo de um carro de luxo. Não mais. Com seu couro costurado à mão e iluminação intimista, o Discovery é palaciano e você tem a mesma posição imperial de dirigir. A conclusão, portanto, é simples: se você quer um carro de luxo capaz de ir a qualquer lugar, compre o Discovery 4.

Só que você não pode, porque enquanto você roda por aí com seu carro novo, ninguém vai pensar: “Ah, esse é um cara esperto. Ele economizou 17 mil libras.” Eles pensarão: “Céus! Pobre homem. Ele não pode pagar um Range Rover.” Isso é conhecido, na minha cabeça, como a síndrome do Porsche Boxster - você compra um se não pode pagar por um 911.

Da mesma forma, é impossível dirigir um Discovery sem pensar no Range Rover. Eu não estou falando do (medonho) Range Rover Sport, mas do “verdadeiro” Range Rover – também conhecido como o melhor carro do mundo. Há algo no Range Rover que faz você se sentir melhor, ainda que o Discovery seja parecido ao dirigir. Não consigo explicar isso como Faraday conseguiria explicar a eletricidade. Mas é um fato.

Tudo o que você pensa em um Discovery é: “Deus, eu adoraria ter um Range Rover.” É como estar nas férias em Port Grimaud. Você está no mesmo país de Saint Tropez. Você está na mesma baía. Você tem o mesmo clima e a mesma comida. E você pagou menos. Mas você não está em Saint Tropez e isso deixa você constantemente desapontado consigo mesmo.

Claro, você pode argumentar que comprou o Discovery porque precisava de sete lugares. Mas se você precisa de sete lugares, o Volco XC90 é uma solução mais sensível, mais prática, mais fácil de usar e menos cara.

E então aqui estamos. O Land Rover Discovery 4. É excelente. Não compre um.

James May - Definindo um carro de luxo


http://www.telegraph.co.uk/motoring/columnists/jamesmay/6460645/The-luxury-car-defined.html

De acordo com algumas pessoas que eu conheço, Ronald McDonald é a pior coisa que já aconteceu ao mundo. Ele é a inaceitável face da globalização, o destruidor das florestas tropicais, o mensageiro de nariz vermelho da obesidade.

Mas de certa forma, Ron nos fez um favor. Graças à sua firme marcha de sapatos de palhaço ao redor do planeta, cada cidade importante no mundo tem ao menos um banheiro decente e em funcionamento. Cada McDonalds é uma embaixada do sanitarismo americano, o que é uma coisa boa.

Os sanduíches não satisfazem plenamente, na verdade, mas no fim das contas, o que você prefere? Comida de primeira e o terror de uma latrina sem porta ou comida industrializada, mas com a possibilidade de se aliviar sem correr o risco de ter esquistossomose?

De modo similar, peguei um voo da British Airways para casa e ganhei um upgrade. Isso significa mais espaço, garfo e faca decentes, um vinho melhor e um par de chinelos. Mas o que realmente aconteceu foi que o cara de blazer mal cortado me trouxe uma xícara de chá, que eu esperei por duas semanas.

Odeio soar como aqueles velhos que voavam meio mundo e depois reclamavam que não se consegue um copo decente de alguma bebida, mas o fato é que você não consegue mesmo. Aqueles que se contentam com a bebida do diabo, o café, devem estar satisfeitos com qualquer outra companhia aérea, mas, para mim, cada avião da British Airways é um consulado da Inglaterra, um santuário de alumínio. Se eu tivesse que escolher a cama macia ou o chá, eu saberia onde estaria indo.

Então me ocorreu que a essência do verdadeiro luxo é algo muito simples. Um quarto luxuoso de hotel não é aquele com televisão de plasma, chuveiro com multi-jatos, luz intimista, chocolates na cabeceira, papel-higiênico com a ponta dobrada e uma sacada. É aquele que com travesseiros confortáveis. Sem isso, você estaria tão bem quanto em um camping. Um trailer com travesseiros decentes é mais luxuoso que um hotel suntuoso e uma folha de espuma para sua cabeça.

A maioria dos itens de luxo é, na verdade, bobos. “Luxuoso” se tornou feito de couro ou apresentado em uma caixa elaborada que precisa ser colocada dentro de outra caixa que você tem. O que nós pensamos ser luxo, tende a cheirar estranho, envolve administração exclusiva, pesa mais, requer um cartão de fidelização e é descrito com frases e palavras estranhas como “sua escolha de”, “seleção” e “trio”. Luxo, na verdade, não é sobre parecer descolado, é mais sobre paz interior, o que é muito mais difícil de alcançar.

E então cheguei à ligação com os carros. Um verdadeiro carro de luxo – e eu estou mais convencido que nunca – é aquele que roda bem. Meu velho Corniche é cheio de madeira, couro e carpete fofo. Mas você pode substituir tudo isso por fórmica e lona, ele ainda seria luxuoso por causa do modo que flutua nas rodovias e absorve as irregularidades da minha vizinhança.

As rodovias parecem estar ruins como nunca foram e, uma vez que não podemos evitar isso para solucionar o problema, fica a cargo do carro.

Voltando ao terminal 5 de Heathrow: como estive fora por duas semanas, não deixei meu carro no aeroporto e preferi que me buscassem. Esse trabalho normalmente fica a cargo de um Mercedes E ou S, mas nesse dia eu delirei ao ver que o homem com o meu nome na plaquinha tinha um Citroën C6.
Não, ele não tem tantos botões como as Mercedes, nem a mesma impressão de solidez. Como todos os grandes Citroëns que eu dirigi até hoje, parece ter o motor subdimensionado quando se compara com seus enlouquecedores rivais alemães. Mas sendo sincero, ele roda de modo apropriado – o que é um atributo muito mais raro.

E como eu já disse várias vezes nessa coluna, graças a Deus que existem os franceses nesse mundo. Como eles conseguem construir um carro como esse, mas ainda serem incapazes de fazer um copo decente de café é algo além da minha compreensão.

Jeremy Clarkson elege os melhores de 2009



Volvo XC90
As pessoas acham que esse carro se tornou uma figurinha fácil nas ruas porque faz parte do uniforme das escolas particulares. Talvez, mas há outro grande motivo: é de longe o melhor carro para levar as crianças à escola porque realmente há espaço para sete pessoas, 14 pernas e também dois cachorros no porta-malas. Nenhum outro fabricante – e isso é estranho – conseguiu fazer isso sem acabar lançando um ônibus.

Range Rover TDV8 Vogue SE
Sem querer soar pomposo, meu coração se enche de orgulho ao ver que a humanidade consegue fazer algo tão maravilhoso, gracioso, digno e belo. E, enquanto o patriotismo pode ser o ultimo refúgio dos canalhas, tenho orgulho em dizer que esse carro foi concebido pelos alemães, que são basicamente ingleses com um pouco menos de humor.

Alfa Romeo MiTo
Claro que adorei. Me peguei ignorando os defeitos e me concentrado no jeito que você escolhe o material ao redor dos faróis. Adorei o ronco quebradiço, quase como o ronco do escape de um boxer. Adorei o motor turbo de 155hp (de um Fiat), adorei o interior, que parece ser de um carro muito mais caro. Mas o que eu mais gostei nesse carro é que, em festas, quando perguntarem a você qual o seu carro, você pode dizer: “um Alfa.”

Jaguar XKR convertible
Honestamente, com a mão sobre o peito, o XKR não é perfeito. Não chega nem perto disso. O botão dos faróis está errado, os bancos traseiros são estúpidos. Os adereços são terrívelmente antiquados e a rodagem é firme demais. Mas quando se olha a concorrência – o pomposo SL, o complicado M6, o vomitadamente feio Maserati Coupé e o caro Aston V8 – tenho certeza, pela primeira vez, de que se eu fosse comprar um carro dessa categoria, levaria o Jag.

BMW Z4 sDrive35i
Pensei muito sobre isso e posso confessor que o Z4, com seu teto de metal, é o melhor dos esportivos médios. Prefiro ele ao Boxster e ao Mercedes SLK.

Jaguar XF 3.0 Diesel S Portfolio

Não estava entregue ao XF quando ele saiu. Ele simplesmente não parecia tão afiado quanto o conceito apresentado anteriormente. Mas com as memórias daquele conceito desaparecendo, ficamos com um legítimo conquistador que consegue ser prático e espaçoso. Além disso, você pode comprar um desse, embora não a versão que eu testei, por 2500 libras a menos que o mais barato dos BMW 535.

Argo Avenger 700 8x8
Há cinco anos testei pela primeira vez um Argocat e fiquei espantado com o que ele consegue escalar. Tão espantado que liguei para o importador e comprei um para usar na limpeza dos fossos da minha casa da Isle of Man.

Mazda MX-5 2.0i Sport Tech
O fato é que: se você quer um esportivo, o MX-5 é perfeito. Nada vai te dar mais benefícios na Estrada. Nada vai te proporcionar tanta diversão. O único motivo de eu dar cinco estrelas é não poder dar 14.

Lamborghini Gallardo LP560-4 Spyder
Já disse e vou repetir: eu não quero um Lamborghini Gallardo. Mas eu não quero viver em um mundo onde ele não exista.

Ferrari California
A California parece uma Ferrari. Parece digital em vez de analógica. É vertiginosa, leve e ágil. Não se parece com nenhum carro feito atualmente. Compará-la ao Lamborghini ou a um Audi R8 é como comparar um relâmpago com uma mancha.

Audi TT RS Coupé
Ele tem um 2,5 turbo que, por ter cinco cilindros, remete aos dias de glória do Quattro original. É um motor formidável. Musculoso e apimentado em medidas iguais, ele dota o carro com uma crescente curva de velocidade enquanto suga o combustível. E o resto do carro é tão bom ou ainda melhor. Os bancos são maravilhosos, a rodagem é muito mais versátil do que podemos imaginar, a aderência do sistema de tração integral é magnífico, o controle da direção é delirante, o sistema de som é animador e o porta-malas é enorme.

Skoda Octavia Scout 1.8 TSI
Não há um atrativo no Octavia Scout que faz o seu coração derreter em desejo e luxúria. Você nunca vai se apaixonar por ele e será subjulgado pelos bobos que ainda acham que Berlim está dividida em duas. Mas se você usar a frieza do aço na sua escolha, é absolutamente impossível encontrar algo melhor.


Como destruir um Porsche 911

Pra não ficar parado, um vídeo antigo