Richard Hammond fala sobre Felipe Massa






O jovem Henry Surtees foi morto por uma roda que bateu em sua cabeça em uma corrida de Formula 2. Então somente seis dias depois, Felipe Massa sofre lesões terríveis quando uma peça da suspensão atinge sua cabeça e em seguida causa um acidente. Felipe pretende passa por uma recuperação completa e voltar à F1. Henry, filho do campeão mundial John Surtees, morreu na cena do seu acidente.

Eu estaria mentindo se dissesse que meu estômago não gelou quando soube de cada um desses incidentes. Estaria mentindo também se dissesse que eles não me fizeram pensar sobre a minha própria experiência de lesão na cabeça, apesar dos meus pensamentos serem muito mais sobre Felipe e a família Surtees e não sobre mim. A julgar pelas fotos tiradas após a batida de Felipe, com um único olho aberto olhando descontroladamente por sua viseira despedaçada, ficou claro que a mola da suspensão havia pousado à esquerda de sua fronte.

Machuquei a parte frontal do cérebro em meu acidente, em 2006, e como era triste pensar na longa jornada de recuperação desse tipo de lesão. A parte frontal do cérebro é o lugar responsável por nossas emoções, nossa personalidade. É onde vivemos, quem somos. E qualquer dano ali é potencialmente catastrófico e pode levar anos para curar. Sei disso por mim, três anos passaram e o processo ainda continua. Embora seja impossível imaginar quão feliz estaria a família Surtees se eles tivessem a oportunidade de ajudar Henry em uma jornada semelhante.

Parece que Felipe vai escapar de lesões no cérebro, seu capacete de fibra de carbono absorveu todo o impacto que poderia facilmente matá-lo. Mas cada vez que leio que ele pretende voltar à correr na F1 tão logo após seu acidente, devo admitir que meus ombros caem um pouco. Não é pela idéia de ele estar se arriscando novamente – isso é problema dele. É só a lembrança agitada do desespero de “voltar”, de trabalhar, de ser “normal” de novo. Se você já torceu um tornozelo enquanto corria na frente de todo mundo mas continuou, fingindo que estava tudo bem, você sabe do que estou falando.

Parece uma necessidade especialmente poderosa em vítimas de traumatismo craniano. Lembro de ficar tão desesperado para provar aos médicos que eu estava bem e poderia agir corretamente que citava fatos aleatórios que lembrava dos programas de TV durante o dia. Quando eu perguntavam que dia era ou onde eu estava, eu não tinha a menor idéia. Mas eu ainda queria mostrar que estava bem. Talvez a cura venha com a lenta percepção de que você machucou seu cérebro; você danificou o lugar onde você vive.

Seja o que for, eu vi o efeito disso quando visitei o Children’s Trust em Tadworth para abrir a unidade de reabilitação para crianças com lesões cerebrais adquiridas. É um lugar incrível, um lugar cheio de esperança mesmo para o mais grave dos casos enquanto eles realizam suas próprias jornadas de qualquer grau de recuperação que cada um deles será capaz.

Uma garota, internada desde que sofreu sua lesão, no começo do ano, me pegou para conversar do lado de fora. Ela anda mais curvada, ainda tem problemas com a balança – apesar de melhorar a cada dia – e me deu um olhar analítico. Ela me perguntou se era verdade que eu tive problemas com a minha ortografia por algum tempo após o acidente. Eu disse que sim, que eu tive. Ela perguntou se eu já estava melhor e eu disse que sim, estava. Ela chorou aliviada. Tudo o que ela queria era ouvir que é possível melhorar, se levantar da confusão e do medo e ser a pessoa que você era antes e sentir que você ainda é.

E é um tipo de lesão que sempre irá assombrar o automobilismo e os esportes motorizados. Da lesão de Sir Stirling Moss, no acidente de 1962 em Goodwood que encerrou sua gloriosa carreira, até as lesões de Felipe e Henry Surtees em julho e as milhares de lesões similares que acontecem nas rodovias a motociclistas e motoristas há uma vulnerabilidade particular aqui.

E, correndo o risco de ser chato e enfadonho, me desculpem se eu salientar que elas realmente, de verdade mesmo, servem como um aviso para cada um de nós, motociclistas, pilotos e mesmo ciclistas, que um capacete é mais que um requerimento legal, é necessário e um salva-vidas.

Para alguns, mesmo um capacete não pode impedir o pior de acontecer, e minhas condolências vão para sua família. Porém, para outros, como Felipe Massa, um bom capacete é a diferença entre correr fingindo que está tudo bem e não ter a chance de tentar correr de novo.



Richard Hammond sofreu um acidente a bordo do dragster Vampire a 463km/h. Hammond ficou por três meses em coma mas não sofreu lesões permanentes.

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Jeremy Clarkson - Land Rover Discovery 4 3.0 TDV6 HSE



Eu não entendo o Land Rover Discovery. É como o torque, a eletricidade e Peter Mandelson. Sabemos que existe e sabemos o que faz. Mas não é facil explicar. Antigamente fazia sentido. Havia um buraco enorme entre o utilitário Defender “traga-seus-protetores-de-ouvido” e o Range Rover, que estavam todos rodando em Surrey, com seus tapetes estilosos e assentos cobertos com pele de vaca. Em outras palavras, não havia um modelo para o homem do campo na linha da Land Rover, aquele que queria um carro para levar suas vacas ao mercado e a família ao pub. O Discovery preencheu aquele espaço satisfatoriamente e, como resultado, se tornou muito popular entre assassinos.

O Discovery foi comprado ocasionalmente por mulheres de fazendeiros, mas, na maioria dos casos foi comprado por caras que gostam de armas complicadas e calças camufladas. Esses caras se rotulam como “jipeiros” ou “trilheiros”, mas isso é só uma fachada para assassinatos.
Por qual motivo alguém precisa de calças camufladas? É para se esconder da polícia no mato. E por que eles têm um Discovery? Porque o Discovery consegue andar rápido nesse mato, o que significa que os corpos podem ser enterrados em lugares que não serão encontrados pelos malditos farejadores.

Você deve imaginar por que eles escolhem o Discovery em vez de um Land Cruiser, digamos, mas isso é porque você não está prestando atenção. Assim como os assassinos americanos, os “jipeiros” são pessoas práticas, que gostam de mexer em motores e caixas de marchas. Um Land Cruiser nunca quebra e por isso não há muitas oportunidades de ficar mexendo no motor.

Assim como os fazendeiros americanos, o assassino rural britânico é um patriota fervoroso que atira em esquilos e texugos simplesmente para se preparar para o dia em que eles serão chamados para matar comunistas e imigrantes. Além disso, com um Toyota ele não conseguiria adentrar suficientemente a mata, e aí seus cadáveres seriam descobertos e isso seria muito desagradável.

Você acha que isso não faz sentido? Sério? Bem, na próxima vez que estiver dirigindo pelo campo, olhe cautelosamente para o motorista de um velho Land Rover Discovery e pergunte-se uma simples questão: você deixaria sua filha sair com ele para um piquenique?

De qualquer forma, depois que Ken Noye foi preso, a Land Rover deixou de fazer um carro para assassinos e trouxe um novo Discovery. Francamente, não imagino para quem ela fez isso.

Pra começar, o acerto do chassi é extremamente estranho. Não vou entediar vocês com detalhes, mas o resultado disso é: o carro pesa 2,7 toneladas. Isso é muito. E também significa que o consumo foi horrível.

Houve outros problemas também. Ele tem sete assentos mas erguer e baixar esses assentos é extremamente complicado e requer o uso das duas mãos. Isso é um pouco incômodo para o tipo de pessoa que precisa de um carro com sete lugares, as mamães da escola. Elas normalmente tem que levantar e baixar os assentos enquanto carregam uma sacola ou uma criança no colo. Isso porque o Discovery foi projetado por caras que não sabem o que são crianças. Mas isso já se foi e agora temos algo muito mais intrigante para tentar entender.

Exceto pelas lâmpadas estilosas ele parece muito com o modelo anterior, mas por dentro é mais sofisticado, cheio de sensível-ao-toque isso e eletrônico aquilo.
Por baixo, eles mexeram nos ajustes da suspensão para deixar a direção mais precisa, tiraram algum peso e agora você pode pedir o 3.0 biturbo a diesel que viu a luz do dia pela primeira vez no Jaguar XF.

Reajustado para o Discovery, ele produz 241hp. É épico. Ele soa meio grosseiro e ronca como um caminhão quando você liga, mas depois ele tem a suavidade de uma máquina de costura, estridente e quase inacreditavelmente econômico. Dirija com cuidado e você vai conseguir fazer 10,5 km/l.

Eu gostei muito de dirigir o novo Discovery. Foi suave, quieto e extremamente confortável; a direção era boa, a posição de dirigir era excelente e, enquanto você precisava das duas mãos para mover os bancos, a praticidade vinha como bônus.

Então é preciso pensar sobre o preço. A linha começa com o antigo 2.7 custando £32.000, enquanto o carro que eu testei custa £47.695. Não vou fingir que isso é barato, mas custa £17.000 menos que o Range Rover TDV8 Vogue a diesel.

E o que exatamente o Range Rover faz e o novo Discovery não faz? Ele têm o mesmo talento fora-de-estrada e o Discovery tem o brilhante sistema de comando, que são cinco câmeras externas com imagens projetadas no painel. Você pode escolher qual câmera quer ver e até mesmo dar zoom no que te interessar.

A idéia é que você possa avistar obstáculos quando dirige fora da estrada, mas é uma tremenda diversão trocar as imagens enquanto dirige por aí, fazendo seu próprio filme. E fica melhor. Graças à tecnologia maluca, é possível assistir a DVDs enquanto o motorista usa o navegador exatamente na mesma tela. Não é brilhante?




Sim, o Range Rover tem um motor V8, mas o Discovery, com seu novo V6 é somente 0,4 segundo mais lento para chegar aos 100. E isso não me parece potência perdida por 17 mil libras.

O Range Rover costumeiramente estava mais próximo de um carro de luxo. Não mais. Com seu couro costurado à mão e iluminação intimista, o Discovery é palaciano e você tem a mesma posição imperial de dirigir. A conclusão, portanto, é simples: se você quer um carro de luxo capaz de ir a qualquer lugar, compre o Discovery 4.

Só que você não pode, porque enquanto você roda por aí com seu carro novo, ninguém vai pensar: “Ah, esse é um cara esperto. Ele economizou 17 mil libras.” Eles pensarão: “Céus! Pobre homem. Ele não pode pagar um Range Rover.” Isso é conhecido, na minha cabeça, como a síndrome do Porsche Boxster - você compra um se não pode pagar por um 911.

Da mesma forma, é impossível dirigir um Discovery sem pensar no Range Rover. Eu não estou falando do (medonho) Range Rover Sport, mas do “verdadeiro” Range Rover – também conhecido como o melhor carro do mundo. Há algo no Range Rover que faz você se sentir melhor, ainda que o Discovery seja parecido ao dirigir. Não consigo explicar isso como Faraday conseguiria explicar a eletricidade. Mas é um fato.

Tudo o que você pensa em um Discovery é: “Deus, eu adoraria ter um Range Rover.” É como estar nas férias em Port Grimaud. Você está no mesmo país de Saint Tropez. Você está na mesma baía. Você tem o mesmo clima e a mesma comida. E você pagou menos. Mas você não está em Saint Tropez e isso deixa você constantemente desapontado consigo mesmo.

Claro, você pode argumentar que comprou o Discovery porque precisava de sete lugares. Mas se você precisa de sete lugares, o Volco XC90 é uma solução mais sensível, mais prática, mais fácil de usar e menos cara.

E então aqui estamos. O Land Rover Discovery 4. É excelente. Não compre um.

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James May - Definindo um carro de luxo


http://www.telegraph.co.uk/motoring/columnists/jamesmay/6460645/The-luxury-car-defined.html

De acordo com algumas pessoas que eu conheço, Ronald McDonald é a pior coisa que já aconteceu ao mundo. Ele é a inaceitável face da globalização, o destruidor das florestas tropicais, o mensageiro de nariz vermelho da obesidade.

Mas de certa forma, Ron nos fez um favor. Graças à sua firme marcha de sapatos de palhaço ao redor do planeta, cada cidade importante no mundo tem ao menos um banheiro decente e em funcionamento. Cada McDonalds é uma embaixada do sanitarismo americano, o que é uma coisa boa.

Os sanduíches não satisfazem plenamente, na verdade, mas no fim das contas, o que você prefere? Comida de primeira e o terror de uma latrina sem porta ou comida industrializada, mas com a possibilidade de se aliviar sem correr o risco de ter esquistossomose?

De modo similar, peguei um voo da British Airways para casa e ganhei um upgrade. Isso significa mais espaço, garfo e faca decentes, um vinho melhor e um par de chinelos. Mas o que realmente aconteceu foi que o cara de blazer mal cortado me trouxe uma xícara de chá, que eu esperei por duas semanas.

Odeio soar como aqueles velhos que voavam meio mundo e depois reclamavam que não se consegue um copo decente de alguma bebida, mas o fato é que você não consegue mesmo. Aqueles que se contentam com a bebida do diabo, o café, devem estar satisfeitos com qualquer outra companhia aérea, mas, para mim, cada avião da British Airways é um consulado da Inglaterra, um santuário de alumínio. Se eu tivesse que escolher a cama macia ou o chá, eu saberia onde estaria indo.

Então me ocorreu que a essência do verdadeiro luxo é algo muito simples. Um quarto luxuoso de hotel não é aquele com televisão de plasma, chuveiro com multi-jatos, luz intimista, chocolates na cabeceira, papel-higiênico com a ponta dobrada e uma sacada. É aquele que com travesseiros confortáveis. Sem isso, você estaria tão bem quanto em um camping. Um trailer com travesseiros decentes é mais luxuoso que um hotel suntuoso e uma folha de espuma para sua cabeça.

A maioria dos itens de luxo é, na verdade, bobos. “Luxuoso” se tornou feito de couro ou apresentado em uma caixa elaborada que precisa ser colocada dentro de outra caixa que você tem. O que nós pensamos ser luxo, tende a cheirar estranho, envolve administração exclusiva, pesa mais, requer um cartão de fidelização e é descrito com frases e palavras estranhas como “sua escolha de”, “seleção” e “trio”. Luxo, na verdade, não é sobre parecer descolado, é mais sobre paz interior, o que é muito mais difícil de alcançar.

E então cheguei à ligação com os carros. Um verdadeiro carro de luxo – e eu estou mais convencido que nunca – é aquele que roda bem. Meu velho Corniche é cheio de madeira, couro e carpete fofo. Mas você pode substituir tudo isso por fórmica e lona, ele ainda seria luxuoso por causa do modo que flutua nas rodovias e absorve as irregularidades da minha vizinhança.

As rodovias parecem estar ruins como nunca foram e, uma vez que não podemos evitar isso para solucionar o problema, fica a cargo do carro.

Voltando ao terminal 5 de Heathrow: como estive fora por duas semanas, não deixei meu carro no aeroporto e preferi que me buscassem. Esse trabalho normalmente fica a cargo de um Mercedes E ou S, mas nesse dia eu delirei ao ver que o homem com o meu nome na plaquinha tinha um Citroën C6.
Não, ele não tem tantos botões como as Mercedes, nem a mesma impressão de solidez. Como todos os grandes Citroëns que eu dirigi até hoje, parece ter o motor subdimensionado quando se compara com seus enlouquecedores rivais alemães. Mas sendo sincero, ele roda de modo apropriado – o que é um atributo muito mais raro.

E como eu já disse várias vezes nessa coluna, graças a Deus que existem os franceses nesse mundo. Como eles conseguem construir um carro como esse, mas ainda serem incapazes de fazer um copo decente de café é algo além da minha compreensão.

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Mais das antigas: Clarkson e a BMW M3 CSL





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Jeremy Clarkson elege os melhores de 2009



Volvo XC90
As pessoas acham que esse carro se tornou uma figurinha fácil nas ruas porque faz parte do uniforme das escolas particulares. Talvez, mas há outro grande motivo: é de longe o melhor carro para levar as crianças à escola porque realmente há espaço para sete pessoas, 14 pernas e também dois cachorros no porta-malas. Nenhum outro fabricante – e isso é estranho – conseguiu fazer isso sem acabar lançando um ônibus.

Range Rover TDV8 Vogue SE
Sem querer soar pomposo, meu coração se enche de orgulho ao ver que a humanidade consegue fazer algo tão maravilhoso, gracioso, digno e belo. E, enquanto o patriotismo pode ser o ultimo refúgio dos canalhas, tenho orgulho em dizer que esse carro foi concebido pelos alemães, que são basicamente ingleses com um pouco menos de humor.

Alfa Romeo MiTo
Claro que adorei. Me peguei ignorando os defeitos e me concentrado no jeito que você escolhe o material ao redor dos faróis. Adorei o ronco quebradiço, quase como o ronco do escape de um boxer. Adorei o motor turbo de 155hp (de um Fiat), adorei o interior, que parece ser de um carro muito mais caro. Mas o que eu mais gostei nesse carro é que, em festas, quando perguntarem a você qual o seu carro, você pode dizer: “um Alfa.”

Jaguar XKR convertible
Honestamente, com a mão sobre o peito, o XKR não é perfeito. Não chega nem perto disso. O botão dos faróis está errado, os bancos traseiros são estúpidos. Os adereços são terrívelmente antiquados e a rodagem é firme demais. Mas quando se olha a concorrência – o pomposo SL, o complicado M6, o vomitadamente feio Maserati Coupé e o caro Aston V8 – tenho certeza, pela primeira vez, de que se eu fosse comprar um carro dessa categoria, levaria o Jag.

BMW Z4 sDrive35i
Pensei muito sobre isso e posso confessor que o Z4, com seu teto de metal, é o melhor dos esportivos médios. Prefiro ele ao Boxster e ao Mercedes SLK.

Jaguar XF 3.0 Diesel S Portfolio

Não estava entregue ao XF quando ele saiu. Ele simplesmente não parecia tão afiado quanto o conceito apresentado anteriormente. Mas com as memórias daquele conceito desaparecendo, ficamos com um legítimo conquistador que consegue ser prático e espaçoso. Além disso, você pode comprar um desse, embora não a versão que eu testei, por 2500 libras a menos que o mais barato dos BMW 535.

Argo Avenger 700 8x8
Há cinco anos testei pela primeira vez um Argocat e fiquei espantado com o que ele consegue escalar. Tão espantado que liguei para o importador e comprei um para usar na limpeza dos fossos da minha casa da Isle of Man.

Mazda MX-5 2.0i Sport Tech
O fato é que: se você quer um esportivo, o MX-5 é perfeito. Nada vai te dar mais benefícios na Estrada. Nada vai te proporcionar tanta diversão. O único motivo de eu dar cinco estrelas é não poder dar 14.

Lamborghini Gallardo LP560-4 Spyder
Já disse e vou repetir: eu não quero um Lamborghini Gallardo. Mas eu não quero viver em um mundo onde ele não exista.

Ferrari California
A California parece uma Ferrari. Parece digital em vez de analógica. É vertiginosa, leve e ágil. Não se parece com nenhum carro feito atualmente. Compará-la ao Lamborghini ou a um Audi R8 é como comparar um relâmpago com uma mancha.

Audi TT RS Coupé
Ele tem um 2,5 turbo que, por ter cinco cilindros, remete aos dias de glória do Quattro original. É um motor formidável. Musculoso e apimentado em medidas iguais, ele dota o carro com uma crescente curva de velocidade enquanto suga o combustível. E o resto do carro é tão bom ou ainda melhor. Os bancos são maravilhosos, a rodagem é muito mais versátil do que podemos imaginar, a aderência do sistema de tração integral é magnífico, o controle da direção é delirante, o sistema de som é animador e o porta-malas é enorme.

Skoda Octavia Scout 1.8 TSI
Não há um atrativo no Octavia Scout que faz o seu coração derreter em desejo e luxúria. Você nunca vai se apaixonar por ele e será subjulgado pelos bobos que ainda acham que Berlim está dividida em duas. Mas se você usar a frieza do aço na sua escolha, é absolutamente impossível encontrar algo melhor.


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Como destruir um Porsche 911

Pra não ficar parado, um vídeo antigo


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Top Gear Legendado S13 E01

Primeiro programa da 13a temporada, exibido em 23/06/2009
Parte 1



Parte 2


Parte 3


A legenda completa pode ser baixada aqui.

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Schumacher é o Stig


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Ford Focus RS

O Golf é um jogo de xadrez. O Focus é strip poker.



Você acha que o duque de Edimburgo algum dia compraria uma calça laranja? Ou que sua filha de 14 anos usaria uma saia comprida e um blusão de tricô? Você consegue imaginar um sir usando um mankini como aquele do Borat?

Poucas pessoas escolhem suas roupas pela qualidade ou pelo caimento. Normalmente elas só vestem o que acham que combina com elas.

As pessoas também dirigem o que acham que combina com elas. Uma mulher cansada sabe que seu cabelo bagunçado e sua camisola ficam bem com um Volvo XC90. Uma mulher com um penteado caro e nada entre as pernas, sabe que ela não há outro carro melhor que uma Range Rover. Bochechas rosadas e batas vão bem com picapes Mitsubishi. Blusinhas de alças ficam bem com um Peugeot. E um Audi e canetas Montblanc formam uma união tão perfeita quanto leggings e o Vauhxall Astra.

Naturalmente isso me traz ao Ford Focus RS. Com quem ele combina? Que tipo de pessoa o marketing da Ford tinha em mente quando disse: “Vamos colocar uma asa traseira do tamanho daquela de Tommy Sopwith e para-lamas suficientemente grandes para abrigar um rebanho de vacas. Vamos também oferecer somente três cores: verde-limão, azul-Rooney e branco-banheiro.”

Você consegue imaginar alguém que desejaria algo assim? Todo mundo sabe que Rio Ferdinand tem um gosto estranho para bermudas e que David Beckham não vê problemas em usar saias. Eles provavelmente adorariam um Ford verde-limão com uma asa de Boeing na traseira. Mas jogadores de primeira ganham mais de 150 mil libras por semana e não estariam interessados em um Ford de 26 mil.

Estou ciente que garotos também gostam de carros como esse. Mas quando eles tiverem idade suficiente para dirigir, eles também terão idade suficiente para saber que ele é meio como coisas laqueadas, meio como os novos-ricos, meio vulgar.

Nós sabemos que Jonathan Ross tem um par de tênis amarelos. Também sabemos que ele tem um Ford Thunderbird rosa. Mas ele gostaria de um Focus RS? Não! E Stephen Fry também não, nem Susan Boyle, Mick Jagger, Brian Ferry ou Harry Potter.

Ninguém gostaria porque conhecemos as regras de hoje. O Daily Mail frequentemente publica que qualquer um que ganhe mais de 40 mil libras deve ser parado na rua e ter sua cara rasgada com um ralador de queijo.

É por isso que as pessoas têm comprado Ferraris cinza e a Mercedes SL branca não faz mais sucesso. Porque isso é ostentação. E ostentação é ruim.

Por isso não há dúvidas de que, se você quer um hatchback pequeno e veloz, é melhor comprar um Golf GTI, que é idêntico ao modelo a diesel e por isso ninguém vai jogar cocô de cachorro em você. Resolvido?

Na verdade, não! Porque sob a pintura gritante e além do paredão de som “treme-tudo” que sai do escapamento duplo do Ford existe uma possibilidade de diversão que o Golf GTI simplesmente não pode proporcionar. O VW é um jogo de xadrez, o Focus é strip poker.

Sob o capô há um motor Volvo 2.5 de cinco cilindros. Não parece muito atraente falando assim, mas você precisa ver como ele ficou no Ford Focus ST para saber como tripas fazem coração.

O RS ganhou novos pistões, uma nova central eletrônica, um novo turbo – na verdade, um novo tudo, e o resultado são colossais 300hp. Isso é quase 100hp a mais que o Golf. E isso antes de falarmos dos 32,5 kgfm de torque ante os 11,9 kgfm do Golf.

Ninguém havia colocado um motor de 300hp em um carro de tração dianteira até então. Até pouco tempo atrás, os fabricantes diziam que 175 era o máximo. Mais que isso seria um mundo de patinadas, derrapagens, borracha queimada, dor, sofrimento e morte.

Para contornar esse problema no Focus RS anterior, que tinha somente 220hp, foi instalado um diferencial dianteiro. Não funcionou. Pise fundo , o volante trava nas suas mãos e você vai se espatifar na árvore mais próxima.

No novo RS há um novo tipo de diferencial aliado a um novo tipo de suspensão, chamado RevoKnuckle. É extremamente tedioso e não funciona direito também. Você ainda tem patinadas e o volante reage de modo estranho nas curvas.

Mas não há dúvida de que você pode contornar curvas com o RS em velocidades assustadoras e gerar força G a um nível que estoura seus tímpanos. E você pode até passar com as rodas da frente em uma poça durante a curva, o carro não vai sair da trajetória que você apontou. Na pista da Ford, descobrimos que o RS é até mais rápido que o GT.

Mas não vá pensando que ele é um daqueles esportivos espartanos, com todos os acessórios removidos e substituídos por ar. Em vez de reforço e fibra de carbono, você tem comandos do rádio e do navegador ativados por voz, porta-óculos, ar condicionado, toneladas de couro e um monte de mostradores dizendo coisas que você não precisa saber.


É tão luxuoso quanto um Mercedes mais caro. E tão confortável quanto. Na verdade, não. Apesar de estar assentado sobre pneus finos como uma camada de tinta, ele roda bem. E isso é bom, porque os bancos – da mesma cor da carroceria, o que ajuda na vulgaridade – oferecem muito suporte lateral mas nenhum suporte para as coxas e nádegas.

Adorei esse carro da mesma maneira que adoro quase todos os Fords velozes. Em um passado obscuro e distante eu tive um Escort Cosworth. Mas algo mudou desde então. Talvez tenha sido eu, talvez tenha sido o mundo. Eu não sei. Só sei que não poderia dirigir um RS no dia-a-dia. Seria como sentar do lado de fora da minha casa como um cão de cerâmica.

Você pode ser diferente. Pode não querer o Golf porque quer que as pessoas vejam como sua clinica de estética está indo bem. Pode querer chegar “causando” em festas. Você talvez use bonés virados para trás e vista calças que deixam sua cueca a mostra. Você pode gostar de Wayne e Coleen. Nesses casos você vai adorar o RS.

Eu, contudo, só gostaria que eles fizessem uma versão Cotswold. Exatamente o mesmo mas em verde-oliva e com bancos feitos para o duque de Edimburgo.

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O genial dois-tempos



Memórias sujas da infância afetaram minha percepção sobre os motores de dois tempos.

O único motor dois tempos que eu tive é um motor de popa Seagull que vive em algum lugar dos fundos da minha garagem desde que eu o retirei do barco inflável que ele um dia impulsionou.

Este é, sem dúvida, o motor mais simples da história. Muitas unidades foram produzidas e eles conduziram pequenos barcos de pesca por lugares como o porto de Brixham. Seu metálico “ring-bim-bim” faz parte das memórias sonoras dos feriados no litoral.

Mas, meu Deus, ele é um monstro imundo e produz mais sujeira que seu homônimo voador*. Movido a uma mistura gasolina-óleo em uma relação 10:1, ele solta mais óleo que o Amoco Cadiz. Como os peixes sobreviviam a ele, continua sendo um mistério.

O Seagull é uma das razões de eu ter sido tão cruel com os dois-tempos semanas atrás, quando disse que eram apropriados somente para cortadores de grama. Inevitavelmente recebi algumas críticas sobre isso e agora admito que fui um pouco precipitado.

Isso porque andei lendo Stealing Speed, de Mat Oxley, que conta detalhadamente o que a maioria dos entusiastas do motociclismo conhece superficilamente, explicando como um engenheiro da Alemanha Oriental chamado Walter Kaaden combinou os escassos recursos da fábrica de motos alemã MZ com seu fantástico conhecimento sobre a dinâmica do fluxo de gases e tornou o motor de dois tempos uma potência do motociclismo.

Quando o piloto Ernst Degner fugiu para a Alemanha Ocidental, levou junto a tecnologia e a vendeu aos japoneses. A partir daí o domínio do velho mundo nas duas rodas entrou em declínio e o sol nascente passou a brilhar no firmamento do motociclismo.

Não quero estragar a história, caso alguém esteja interessado, mas é uma leitura muito divertida. Há algumas descrições feitas pelos próprios pilotos sobre o Tourist Trophy, na Isle of Man, e estatísticas assustadoras sobre a mortalidade nos anos 50 e 60. Isso me fez pensar mais ainda sobre os dois-tempos.

Acho que ele foi como o dirigível. Algo que veio, falhou e foi embora. Seu legado nas ruas foi a cultura das motos de arruaceiros, que foram populares quando eu era um adolescente. Elas deixavam um nevoeiro azulado em cada rua da cidade e perturbavam a paz tão violentamente que seus roncos ainda ecoam nos antigos pontos de ônibus. Hoje, esse ronco é a assinatura das “cinquentinhas”.

Mas Oxley demonstra que o declínio dos motores dois-tempos foi tão político quanto tecnológico. E quando você pensa nisso, é surpreendente que nada tenha sido feito por um motor que, no final das contas, bate duas vezes mais que o seu motor pelo mesmo tostão. Sugar, apertar, bater e explodir é um meio trabalhoso de chegar à combustão. Um motor dois-tempos consegue fazer ao menos três dessas simultaneamente.

Qualquer um que tenha guiado uma stinkwheel* dos anos 70 saberá que há dois problemas fundamentais com o dois-tempos que conhecemos. O primeiro é a faixa de potência reduzida – algumas das primeiras motos de corrida davam a seus pilotos somente 400rpm para jogar, mais um monte de marchas.

A outra é a lubrificação, já que o óleo acaba misturado com a gasolina e é jogado fora imediatamente após seu uso. Como o dois-tempos tradicional reage à menor provocação, a maioria dos projetos era sobrelubrificada, o que significa que ele literalmente ia parar no nariz das pessoas.

O que nós temos agora e não tínhamos na época, é o controle eletrônico. Isso é capaz de dividir a injeção de combustível em um cilindro de diesel em sete fases distintas, então não há razão pela qual ele não conseguiria dosar precisamente a lubrificação de um ring-bim-bim.

Depois de uma largada queimada, o motor dois-tempos finalmente estaria pronto para libertar o pobre pistão do abuso que sofre nas mãos de Nikolaus Otto. O pistão do quatro-tempos é como o cara que vai ao pub e precisa voltar pra casa para pegar sua carteira antes de pedir um pint. O pistão do dois-tempos pega um a cada visita. Ele certamente é melhor.

Eu ainda acho que o motor de combustão interna tem sido condenado ultimamente, mas talvez seja essa a solução. Ele continua batendo, só que duas vezes mais do que estamos acostumados.

*apelido das motos com motores dois-tempos, populares entre os jovens ingleses nas décadas de 60 e 70.

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Vauxhall VXR8 Bathurst S



Estava tarde, escuro, frio e chovendo. Mesmo assim eu estava ensopado, simplesmente não podia entrar no carro da foto aí de cima. Minha esposa gritava comigo porque a chuva estava estragando seu cabelo, seu o vestido estava ficando transparente e eu deveria parar de ser estúpido e abrir logo as portas do carro. Mas eu não podia porque seria muito embaraçoso.

Se eu tivesse ido ao encontro anual da Ray Winstone Appreciation Society estaria tudo bem. Estaria orgulhoso do gigantismo desse carro, de suas listras pretas no capô, seus para-lamas saltados e seu logotipo próprio. Mas eu estava no New Theatre em Oxford, e o público do teatro de Oxford, com seus cabelos malucos, seus capacetes de ciclismo e suas jaquetas peludas, definitivamente não simpatiza com carros como este. Nem com pessoas que dirigem um deste. Especialmente com a placa DE53JOS.

Francamente, OB08O seria menos ridículo. Então eu fiquei lá fingindo que o carro não era meu até que todos caíssem fora em suas ridículas bicicletas dobráveis.

O caminho de volta para casa foi tranquilo e assim permaneceu até que, a somente três quilômetros para chegar, o motor tossiu. No começo pensei que tinha errado a marcha, mas aí o motor tossiu de novo. E aí ficou sem gasolina, ainda que eu olhasse para o painel onde o mostrador indicava que ainda havia um quarto de tanque. Era um fato. Estávamos no meio da note, no meio do nada e as gotas de chuva eram grandes como coelhos.

Assim o Vauxhall VXR8 Bathurst S não começou bem. Me deixou muito molhado, depois me deixou muito irritado e agora estava começando a me deixar bem divorciado. Como esse fanfarrão pode causar tudo isso?

Resumindo, é esse o resultado de uma guerra civil australiana. Em Oz todo mundo é simpatizante da Holden ou da Ford. Claro que existem advogados e contabilistas que dirão que estão acima dessa divisão absurda, mas quando pressionados, eles dirão: "Lógico que sou um GM desde que nasci e nunca deixaria um Ford entrar na minha garagem porque..." - e nesse momento eles começam a ficar ruborizados - "..eles são todos espalhafatosos e..." - nessa hora batem na mesa - "..eu odeio eles. Eu sacrificaria minha vida e a vida dos meus filhos pela Holden e mataria com um martelo qualquer um que discordar de mim."

Na corrida de Bathurst, de onde a Vauhxall tirou o nome dessa edição limitada, existem batalhas enre gangues de fãs da Ford e da GM. Uns tipos meio Hell's Angels, com motos e correntes. E a única vez que eles se uniram foi quando um cara chamado Jim Richards venceu a prova com um Nissan Skyline. Foi tão vaiado que quando subiu ao pódio, pegou o microfone e chamou todos de "um bando de bundões".

É daí que esse grande Vauxhall saiu. Um lugar bruto, onde não existem mulheres e até as aranhas ficam assustadas. É um carro construído para ser canhestro. Para enfiar a cara em qualquer lugar que a Ford esteja só para dar uma resposta. Foi projetado para manter aquelas correntes girando.

Apesar disso, ele não é realmente australiano. Ele é construído lá mas foi projetado por um escocês chamado Tom Walkinshaw. Como ele é meu vizinho, fico imaginando como pode um cara tão quieto e reservado criar algo tão grosseiro.

É fácil encontrar sua casa. Vire à esqueda na simpática casa de queijo de Alex James, passando pela adorável wisteria de David Cameron, direto até depois do gablete de Ben Kingsley, chegando aos muros de pedra que marcam a entrada da casa. Mas eu não quero passar por esses lugares (nem por essas pessoas) em um carro com listras e "DE53JOS" escrito atrás. Então eu fiquei em casa.

No outro dia fui convidado para almoçar na casa de um amigo. Como ele mora em uma longa estrada particular, achei que não haveria nada de mais em chegar lá em algo tão "Crocodilo Dundee". Mas sem motivo algum, a bateria estava descarregada e o carro não pegava. Então fui com uma Range Rover. Como qualquer um faria.

Qual ficou escuro e a nação estava dormindo, decidi descobrir com o que se parecia aquele carro. Em pouco tempo descobri que era como estar em 1978. Não havia refinamento algum. Quando você pisa no pedal de embreagem para mudar a marcha, dá para sentir e ouvir todo o mecanismo se movendo. Algo que eu não sentia desde que o Chevette HS chegou aqui.

Também há o volante, feito do plástico mais barato do mundo e exatamente cinco centímetros a mais que o diâmetro do anel externo de Saturno. Você não dirige esse carro. Você malha.




E, finalmente, há o barulho. Meu deus. Nunca houve um carro barulhento como este. Numca. É óbvio que esse V8 - também usado no Corvette - é uma coisa barulhenta, mas quando você acelera, você não ouve ele. O que você escuta é o supercharger. Não é como um sopro ou um assovio, como se espera. É como se alguém estivesse dando serragem a milhões de esquilos.

É um barulho ensurdecedor, em uma frequência muito alta. Depois de algum tempo você não aguenta mais e tira o pé. E ouve o som distante de uma artilharia e das fagulhas de combustível queimando que saem do escapamento. É o ruído mais glorioso do mundo.

Então você tem a fase onde os esquilos guincham e aí você tira o pé do acelerador, espera a rotação baixar para 1800, quando o som da batalha aparece.

Há algumas outras coisas boas também. É surpreendentemente fácil de dirigir, se levar em conta que é algo com 564hp. Você pisa, os esquilos morrem e você espera passar os próximos seis segundos em uma luta contra o timão de navio para manter o carro em linha reta.

Mas não é o que acontece. É só pisar e ir. Não é como estar preso em todos os tipos de controle. Tudo o que você tem é o controle de tração ligado ou desligado. E isso é tudo.

Claro que é um carro enorme. Tão grande que é comum que o tempo seja diferente para os que vão sentados à esquerda do carro. E as pessoas do banco de trás ainda estão na cama. Mas como resultado dessa vastidão há muito espaço interno e espaço para muitos relógios de vovô no bagageiro. Tem um rodar muito bom também.

Equipamentos? Sim, ele tem alguma coisa, não muito. E o pouco que havia, não funcionou.

Quer saber? Eu não ligo. Estou envergonhado por admitir que adorei esse carro. Sim, é vulgar e terrível, mas é quase ridiculamente empolgante e não há outro caro que ofereça todo esse espaço e toda essa potência por menos dinheiro.

Vá em frente, compre um BMW M3 em vez desse. Enquanto isso, eu vou até a Ray Winstone Appreciation Society. E vou às suas reuniões na Espanha no que somente pode ser descrito como uma verdadeira fera. Medonho, mas absolutamente adorável.

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Fiat Qubo


"Tentar ultrapassar o limite de velocidade nesse carro seria como tentar ultrapassar o limite de velocidade em uma vaca."

Agora que nenhuma marca de absorventes íntimos pode exibir seus produtos nos intervalos comerciais, o governo e vários outros órgãos se empenharam em preencher o vazio com uma nova gama de filmes de utilidade pública.

Como eles chegam aos temas abordados eu não faço ideia, mas nos últimos meses nos ensinaram a não espirrar em elevadores, a tomar mais cuidado com motociclistas e, estranhamente, como descobrir que uma pessoa está tendo um acidente vascular cerebral (AVC). Por que um AVC? Por que não falar da gripe aviária, ataque cardíaco ou sífilis? E por que eu não posso espirrar em um elevador? Se é lá que eu estou quando der vontade, o que devo fazer? Manter a boca fechada e apertar meu nariz? Isso explodiria meus olhos!

Ah, e se os motociclistas querem que as pessoas vejam eles nos cruzamentos, aqui vai uma sugestão: comprem um carro.

Evidentemente não há nada de novo nessa intimidação. Na minha juventude, lembro de ouvir Harold Wilson dizendo para não colocar tapetes sobre um piso encerado e Rolf Harris recomendando que eu aprendesse a nadar. Mas a quantidade de ordens hoje é incrível.

Estão constantemente nos dizendo para não fumar, não comer muito sal, não beber e dirigir, não esquecer a declaração de imposto de renda, não brincar com fogos de artificío, não andar em terceira e não passar o dia vendo TV.

E então nessa manhã, enquanto lia o manual do Fiat Qubo, descobri que por trás das câmeras as coisas são bem piores.

É como qualquer outro manual de carro. Escrito para tribos na Amazônia e marcianos, há um aviso sobre como ligar o motor e o que o velocímetro faz, mas enterrado no manual no meio de uma passagem fascinante sobre como utilizar os bancos, achei um quadro que diz que o carro é equipado com o sistema "Diagnóstico de Bordo Europeu".

Parece inofensivo: uma luzinha acende para avisar quando um componente relacionado às emissões está avariado. Mas aí ele diz, casualmente, que os registros do funcionamento do motor são gravados e podem "ser acessados pela guarda de trânsito".

Posso estar me preocupando a toa, mas isso significa que o guardinha agora pode engatar um laptop no sistema de gerencialmento do motor e ver a qual velocidade você dirigia?

Se ele puder, a boa notícia é que se você comprar um Fiat Qubo, a polícia pode procurar quanto quiser, porque tudo o que vai descobrir é que, desde que você comprou o carro, você nunca ultrapassou o limite de velocidade. Até porque isso seria como tentar violar o limite de velocidade em uma vaca.

O Qubo é uma van. Ah, eles tentaram dar uma animada no carro colocando uma fantasia verde e janelas triangulares e certamente tinham uma sala cheia de caras com camisas de gola rolê imaginando um nome para o carro. Mas ainda é uma van.

Não tenho nada contra isso. O Citroën Berlingo é uma van e se sai muito bem como carro familiar.

O Qubo, não. Ele foi projetado em parceria com a Citröen, é feito sobre a plataforma do Punto e é movido por um motor de 1,3 litros da Opel, se você escolher a opção a diesel.

Nem precisava dizer que há todos os tipos de erros tolos. Por exemplo, a tampa do porta-malas é aberta por um botão na chave. Ótimo. Exceto pelo fato de que você vai apertar esse botão por engano toda vez que girar a chave para ligar o carro. Garanto. E então vai ter que sair do carro e fechá-la de novo.

Claro que poder abrir o porta-malas por um botão é bem útil se você está vindo das compras cheios de bolsas e sacolas. Mas você não vai conseguir abrir a tampa do porta-malas porque a traseira é tão grande que mesmo que tivessem estacionado a um quilômetro de distância, ainda não seria possível abri-lo. São esses os detalhes que transformaram uma boa ideia em algo que simplesmente não funciona.

Quando se trata de engenharia, nada pode ser "brilhante, apesar do...". Seja uma usina nuclear, uma mureta de proteção ou um carro. O que quero dizer é: o Titanic era brilhante, apesar do seu leme mal-feito.

Claro que você pode olhar o preço baixo do Fiat Qubo - é quase o mesmo de um McLanche Feliz - e o baixo custo de manutenção e dizer que não se importa com a traseira, ou com a alavanca de câmbio robusta como uma das orelhas do Pernalonga, ou com o fato dele não ter tapete nenhum - deixe-me repetir: "não tem tapete algum" - porque ele oferece muito mais espaço que um hatchback comum.

Bem, vamos olhar esse espaço. O interior do Qubo de cinco lugares não é muito mais largo que um carro normal e, certamente, não é muito mais comprido. É simplesmente mais alto, o que é bem útil em uma van, mas a menos que você tenha 2,50m de altura ou um cabelo black power imenso, esse teto alto não faz diferença alguma em um carro.

A Citroën resolveu isso no último Berlingo que dirigi enchendo esse espaço com uma série de porta-objetos. O Fiat Qubo que testei tinha ali somente um monte de ar inútil.

Também não é tão versátil. Sim, os bancos traseiros são rebatíveis e podem ser levantados todos juntos. Mas a menos que você goste de machucar seus dedos, você não vai colocá-los no lugar de novo.

Aí tem a velocidade. Testei o modelo 1,3 a diesel, que leva mais de 16s para ir de zero a 100. Você pode não se importar com isso porque você é um fracassado. Mas devo ser claro: estou falando de um desempenho que só pode ser medido em termos geológicos.

Juro por Deus que o Qubo é tão lento que se você entrou em um nessa manhã para dirigir em direção ao sul o mais rápido possível, a erosão costeira vai engolir você na quarta à tarde.

O monte Evereste está atualmente movendo-se ao noroeste cerca de 5cm por ano. É essa a velocidade que você anda no Qubo. E esteja certo de uma coisa: na estrada esse ritmo não é somente anti-social. É perigoso.

Não vejo problema se você quiser reciclar tofu e tricotar uma calcinha de cânhamo, porque nada disso afeta ninguém. Mas dirigir um Qubo afeta todo mundo. Ele bloqueia o sistema. Deveriam ter chamado ele de Imodium.

Ontem na A44, imaginei uma cauda enorme. Ia dizer que me sentia como a cabeça de um cometa, veloz e furioso mas a imagem estava errada. Na verdade me sentia como um espermatozóide.

Uma pobre mulher em um Citroën C2 ficou tão cheia do meu ritmo tectônico que tentou me passar de uma forma suicida. Se eu não tivesse freado para deixá-la voltar ao lado certo da rodovia, ela teria batido de frente com o outro carro.

Você pode dizer que o acidente seria por culpa dela. Mas e se sua mãe tivesse ligado pra dizer que colocou muito sal na comida e estava tendo um acidente vascular cerebral? E se ela estivesse prestes a espirrar e precisasse chegar em casa o mais rápido possível?

A batida não teria sido por culpa dela. Teria sido por minha culpa por colocar as necessidades dos ursos polares à frente das necessidades de todo mundo.

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Quatro rodas e um volante

É um blog escrito por 5 portugueses e um brasileiro (eu) que gostam de carros. Sem pretensões jornalísticas como aqueles bloguinhos por aí. Um blog com novidades e curiosidades.

Vale a pena passar lá. Atualizado todos os dias o tempo todo (esse negócio de fuso horário faz o blog não parar nunca).

4rodas1volante.com

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Alfa Romeo MiTo


Acho que fidelidade a uma marca só fará sentido no dia em que o peixeiro souber seu nome e o tipo de bacalhau que você quer em uma sexta-feira. Hoje vivemos em um mundo de supermercados e corporações, isso é a coisa mais ridícula em todo o mundo verde de Deus. Não importa quantos cartões de fidelidade você tem em sua carteira.

Dito isso, sou o pior crítico. Mesmo sabendo que a Virgin é a melhor companhia aérea, procuro sempre voar pela British Airlines. Mesmo sabendo que o HSBC está em ótima forma, sou cliente do Barclays. Mesmo sabendo que o modelo novo da Levi’s revela meu cofrinho quando me abaixo, não vou comprar uma Wrangler.

Isso me lembra os relógios. Por algum tempo estive à caça de um novo, mas as opções estavam difíceis. Não podia ter um Breitling porque não tenho um Audi. Não poderia comprar um Calvin Klein porque eles são calças, não usaria um Gucci pois não sou esposa de jogador de futebol, nem um TW Steel porque meu pulso não é grande o bastante para usar algo que pode ser visto do espaço. E a única coisa pior que um Rolex falso é um Rolex de verdade.



Na verdade, não poderia usar nenhum desses relógios porque eu sou um usuário Omega. Usei um Seamaster por anos, não porque James Bond usava um e nem porque Neil Armstrong usou algo dessa marca na lua, mas porque no dia em que entrei na faculdade meus pais me deram um Genève Dynamic.

O problema é que nos últimos anos a Omega tem sido o pior dos relógios suíços. Têm sido Terry & June. Omegas eram enfadonhos. Eram chatos. Eram Vectras em um mundo de Ferraris e Lamborghinis. O De Ville Prestige, por exemplo, certamente foi projetado por alguém que tinha uma TV preto-e-branco.

Isso me deixou desesperado. Eu precisava de um relógio. Pelo mesmo motivo que sou cliente do Barclays e uso Levi’s, precisava ser um Omega, e ela não tinham nada bom. Era como o Leeds United, que já foi o lar de grandes craques, mas agora é um amontoado de pernas-de-pau sem chance alguma.

E então um dia, em Hong Kong, eu vi. Um novo Omega. Chama-se Railmaster e é algo com uma beleza inigualável. Não há nenhum botão que vai chamar ajuda caso seu helicóptero caia no Kilimanjaro, não é a prova d’água até oito mil metros. Não tem cronômetro, não tem nenhum mostrador pra dizer quanto ar ainda tem no seu cilindro e você ainda precisa dar corda todos os dias de manhã para ele não parar. É o relógio perfeito para uma alma sedentária. Para o tipo de homem que não tem uma asa-delta nem um minisubmarino na garagem. Comprei na hora.

É assim com a Alfa Romeo. Minha fidelidade à marca começou quando comprei um antigo GTV6. Os pneus murchavam todas as noites. A embreagem grudava no volante do motor se você não dirigisse o carro todos os dias. E uma vez, ele quebrou o diferencial quando eu estava a uns 100km/h. O barulho foi extraordinário. Meio como Brian Blessed sendo violentado.
Mesmo com um desenho feio, era um hatchback mas o banco traseiro não era rebatível porque alguém tomou muito vinho e colocou o tanque de combustível entre ele e o porta-malas. A posição de dirigir é tão inacreditável que é preciso sentar em um para compreender o que quero dizer. A única maneira de ficar confortável seria se você tivesse seus braços de 2 metros, coluna comprimida e pés ligados diretamente nos joelhos.

Você deve estar esperando que eu diga que tudo isso é perdoável por que ele era uma máquina de pilotar. Mas não era. Na verdade, não era mais desde que o Alfasud era um Alfa comprovadamente melhor que a concorrência. E hoje, a Alfa é só uma divisão da Fiat.

Mas... já disse várias vezes que ter um Alfa é um portal pelo qual todos os petrolheads devem passar se eles realmente querem saber o que diferencia um carro de uma torradeira ou de uma máquina de lavar roupa.

Como os Alfas têm falhas, eles parecem humanos. É como se tivessem alma e temperamento. Cada um deles — exceto o Arna, obviamente — é como o herói torturado de um romance russo, um carro profundo, um carro que você nunca vai compreender.
Eles são como cocaína. Uma euforia inimaginável que é sempre alternada com uma imensa depressão. Tempestades elétricas que inevitavelmente seguem um belo final de tarde.

Por muitos anos esperei o dia que a Alfa colocaria toda essa “humanidade” em um carro que fosse bom de dirigir. E eu realmente achei que o novo MiTo seria essa resposta; o momento Railmaster, quando a Alfa deixaria de ser como o Leeds United e enfiaria a bola no fundo da rede.

Mas ele não é. Ele vem com um sistema eletrônico que permite que você escolha a resposta que quer do motor, mas não importa o modo que você seleciona, ele sempre é mascarado por um eficiente sistema elétrico de assistência de direção que é mais ou menos (eu acho) como um par de peitos de silicone. Não há como escapar do fato de estar brincando com dois sacos de geléia

Também há a nova suspensão, na qual há molas dentro dos amortecedores. Soa intrigante mas até onde consegui perceber, o resultado é uma condução desagradável.

Há outros problemas também. A curva do teto significa que não há espaço para a cabeça no banco de trás e o porta-malas é pequeno. O volante está ligado ao painel por um negócio que parece um fole vitoriano.

Claro que eu adorei o carro. Ignorei os defeitos e me concentrei na possibilidade de escolher o que haverá ao redor dos faróis. Adorei o ronco rasgado do escapamento de 4 tubos. Adorei o motor turbo de 155hp (de um Fiat). Adorei ter a sensação de que o interior parece de algo muito mais caro. Mas o que eu mais gostei nesse carro é que, quando perguntarem o que você dirige, você pode dizer: “Um Alfa”.

E então os homens vão pensar que você é um piloto dos anos 50. As mulheres vão achar que você é um cara interessante como Daniel Day Lewis em Uma Janela Para o Amor (A Room With a View). A Alfa é a única marca de fora do mundo dos supercarros capaz de fazer isso.

Existem compactos melhores se você procura um investimento familiar – o MINI, por exemplo. Existem compactos mehores se você procura algo divertido de dirigir, o MINI de novo. E claro, existem carros mais bonitos e melhor construídos.. hm.. o MINI volta à minha cabeça.
Mas receio que não exista um compacto melhor se você é fiel a uma marca e o que você quer é um Alfa.


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Crise

Estágio + aula + pouco tempo livre = prioridades + sono + poucas postagens no blog.

Por isso vai uma tentativa: além do conteúdo "top gear" o que mais gostariam de ler por aqui?

Deixem as sugestões nos comentários.

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Clarkson sobre o futuro


Original em http://www.topgear.com/uk/jeremy-clarkson/clarkson-future-02-2009

Sutileza é para livros. Você pode voltar e reler uma passagem para saborear todas as metáforas e insinuações. Mas ela não serve para um programa bombástico como o Top Gear, e é por isso que ninguém percebeu a importância de terminarmos a temporada de 2008 com James May testando o Honda Clarity movido a hidrogênio.
Você deve ter achado um pouco sério demais - deveria ter visto a explicação técnica de 45 minutos que James planejou – e deve ter imaginado por que deveríamos terminar um programa que apresentou saltos com trailers, a história dos acidentes nos campeonatos de Turismo, com aquele olhar seco e direto sobre o Clarity.

Simples. Estávamos tentando ser sutis. Estávamos tentando mostrar que esse é o carro mais importante desde que o carro foi inventado. Que, com um tiro só, a Honda matou dois grandes problemas da sociedade moderna, os politicamente-corretos e os incorretos. Remete à questão sobre o que faremos quando o petróleo acabar e cala todos que nos fizeram acreditar que os carros estão derretendo as calotas polares. Resumindo (e tirando a sutileza), o Clarity significa que podemos dormir tranquilos.

Como ele libera somente água, não há motivos para não conectá-lo à sua casa e usar seu motor para mover todos os aparelhos eletrônicos. Todos mesmo. Mesmo se você vive em um palácio. Ele realmente é a solução para tudo.
Infelizmente, é bem difícil obter hidrogênio. Atualmente não há infraestrutura para transportá-lo ou vendê-lo. E o Clarity, honestamente, é só o Gênesis. Precisamos passar pelo Êxodo, Deuteronômio, Números e todo o Antigo Testamento antes que você possa comprar e rodar com o Clarity com praticidade e preço razoável.

Normalemente todos esses problemas podem ser solucionados com dinheiro. Mas isso é uma coisa que a indústria de carros não tem agora. Também não terá em um futuro próximo. Outras indústrias? É difícil pensar em uma. As petrolíferas estão confusas com o barril do seu ouro líquido vendido a somente $50. E se alguém pensar em invenstir nisso, descobrirá que os bancos não estão emprestando dinheiro. Em resumo, e sem sutileza alguma dessa vez, dinheiro é uma coisa que o mundo não tem.

Também parece que as fábricas de carro vão optar pelo modo mais barato e mais fácil de fazer híbridos estúpidos, como o Prius, que todos os críticos podem dizer que não passa de um jeito complicado de fazer as pessoas sentirem que estão fazendo algum esforço para salvar o planeta. Como leitores de um site automotivo, sabemos que eles não estão fazendo isso. Híbridos consomem muita energia em sua produção e são ecologicamente devastadores quando tirados de circulação. E fazem, no máximo, 16km/l.

Fazer um híbrido para evitar o desastre é como substituir uma vidraça quebrado por uma lâmina de polietileno. Ele deixa o ambiente aconchegante e aquecido novamente, mas ele ainda poderá ser assaltado. Precisa de um substituto para o espaço vazio? Precisa de hidrogênio? É caro e você não tem dinheiro. Também não vai ter até que as pessoas voltem a comprar seus produtos. Eles não compram porque não têm dinheiro também. E se tivessem, não gastariam, porque o Daily Mail vai dizer que eles são presunçosos, extravagantes e vão causar câncer de mama.

Eu temo que (pelo andar da carruagem) não haverá nenhum grande avanço. Não haverá revolução. Os híbridos continuarão a ser comprados por tolos desinformados, o Clarity vai continuará driblando na Califórnia e o carro como conhecemos seguirá sem mudanças.

Entretanto, acho que eles se tornarão mais entediantes. Nos últimos anos recebemos quase toda semana, uma ligação de um cara dizendo que fez um carro V48 de £8 milhões e que o Stig gostaria de dar uma volta na nossa pista.

Vimos a Aston Martin etiquetando seus carros com a técnica “pense em um número, agora duplique”. Tivemos a Lamborghini e a Porsche trabalhando em supercarros fantasticamente caros de quatro portas. A Mercedes fazendo um SL que custa £250 mil e a BMW imaginando que o mundo precisa mesmo é da magnificência estúpida do X6. O mundo todo colou o nariz nos vidros e as empresas ficaram muito felizes em nos alimentar com caviar. Foi divertido, honestamente, mas agora acabou.

Isso não precisa ser necessariamente uma coisa ruim. Estive andando por Londres num outro dia e, estranhamente, todas as concessionárias da Park Lane pareciam fora de moda, meio gordas, meio “última-semana”. Enquanto isso a loja vermelha e branca da Fiat na praça Berkeley parecia perfeitamente normal. Eu queria quase tudo dela. E quando chegaram com o 500 Abarth (que ouvi dizer que terá 200hp em um futuro próximo) eu fiquei muito inclinado a entrar e comprar alguma coisa.
Esse será o segredo dos fabricantes. Eles terão que pegar seus Panda “café-com-leite” e torná-los muito mais atraentes com uma pincelada aqui e um traço ali.

Vou contar um pequeno segredo: no mundo real, bem longe do enorme espaço da pista de testes do Top Gear, dirigir o Fiat 500 é muito mais divertido que o Zonda. O Zonda correria mais, só que em uma rodovia secundária ondulada você sorriria muito mais em um Fiat. Juro. Ou em um MINI. Ou em um pequeno Ford.

No futuro não distante, carros como estes se tornarão regra para os entusiastas assim como nos anos 80, as pessoas venderam seus Gordon-Keebles e Bentleys para comprar um Golf GTi. Em vez de ficar sonhando com o dia em que você comprará um Gallardo ou Scuderia, você deveria diminuir suas aspirações para algo como o novo BMW Z4.
Isso me parece tão claro hoje como o X6 é errado. Doze meses atrás (que parecem mais distantes que o século XIX) o Z4 era ruim. Culparam o desenho exótico pelas fracas vendas, o que deve ser verdade, mas eu percebo que o motivo principal é que ele não vendeu por que era muito barato. Os compradores entravam na loja para comprar um quatro e saiam com um seis. E por que não fazer isso?

O novo modelo é equilibrado como o antigo, mas menos exótico. É muito bonito. Também tem o teto de metal e, claro, é um BMW, o que não é um problema hoje porque os exibidos estão comprando o Audi TT.
Estranho, não? As mudanças do Z4 são bem-vindas mas meio superficiais. Você pode até considerá-las sutis. Realmente, permaneceu o mesmo e o mundo mudou. Nós costumávamos sonhar em sair com uma modelo famosa, mas agora, parece que crescemos e percebemos que é melhor sonhar em sair com a vizinha bonita.

Dois anos atrás, disse que o Z4 era um pouco enfadonho. Agora... estou querendo um.

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Top Gear Legendado - Supercarros em Paris




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